Um agricultor alerta sobre os riscos dos transgênicos


Transgênicos e o uso de agrotóxicos

Por: Joop Stoltenborg, agricultor e responsável pelo Sitio A Boa Terra



“O uso de herbicidas não diminui com transgênicos”, que comenta um relatório do Departamento de Agricultura dos EUA.


Como consumidores, é importante saber como os produtos que consumimos são produzidos. Ainda mais quando se trata de alimentos. Pois, além dos impactos na natureza, estes trazem impacto na nossa saúde. Para um consumidor orgânico é bom ter acesso a informações que mostram que vale a pena pagar mais pelos orgânicos. Por isso resumi um artigo que tem o título “O uso de herbicidas não diminui com transgênicos”, que comenta um relatório do Departamento de Agricultura dos EUA.

O relatório, simplesmente mostrando dados, desmascara a propaganda enganosa dos fabricantes dos transgênicos. Estes sempre disseram que o aumento das lavouras transgênicas tolerantes ao herbicida glifosato diminuiria o uso do mesmo. Na verdade, o relatório dos EUA diz que o uso do herbicida glifosato, associado às lavouras transgênicas, aumentou dramaticamente ao longo dos últimos anos, enquanto o uso de outros herbicidas mais tóxicos como atrazina não diminuiu. O relatório mostra, nos estados avaliados, o seguinte crescimento: de 2 milhões de kg no ano 2000 para 25.8 milhões de kg no ano de 2010. Então 13 vezes mais. Estes dados se referem apenas a lavouras de milho. No mesmo período, o uso da Atrazina ficou praticamente estável, ou seja, por volta de 25 milhões de kg por ano.
A atrazina está ligada a sérios efeitos sobre a saúde humana, incluindo malformações em bebês e problemas nos sistemas endócrino e reprodutor.

É também uma grande ameaça aos ecossistemas por provocar problemas imunológicos hormonais e reprodutivos em espécies aquáticas. O próprio glifosato também está associado a uma série de problemas ambientais e de saúde. O aumento no uso de herbicidas nas lavouras de transgênicos tolerantes ao glifosato se deve, em grande parte, ao desenvolvimento de resistência nas espécies de mato que o herbicida pretende controlar. Com a perda de eficácia do veneno, os agricultores tendem não só a utilizar maiores quantidades de glifosato, como recorrer, de forma complementar, a outros herbicidas ainda mais tóxicos. Isso está levando também as empresas de biotecnologia a investir no desenvolvimento de plantas transgênicas tolerantes a múltiplos herbicidas como glifosato e 2,4-D (componente do famoso Agente Laranja) ou glifosato e aceto cloro, ou seja, soluções que também levarão ao aumento de venenos e, pior, cada vez mais tóxicos.

Pessoalmente vejo que é realmente urgente ampliar a consciência dos produtores e consumidores de que o caminho dos transgênicos é um caminho de death sciences (ciências da morte) embora seus fabricantes usem o slogan de life sciences (ciências da vida). Julguem vocês.

Artigo publicado em 23/07/2011 - Sítio a Boa Terra


Conheça a história do Sítio, uma lição de coragem e muito amor (Nadia Cozzi)

Comentários

Postagens mais visitadas