Vc pode participar do Novo Guia Alimentar para a População Brasileira. É esta a hora, vamos lá?

Fonte: Fechando Ziper
Saiba tudo sobre o NOVO Guia Alimentar para a População Brasileira



Hey, pessoal! Hoje vamos falar de um assunto muito importante! O Ministério da Saúde disponibilizou para Consulta Pública o NOVO Guia Alimentar para a População Brasileira.

Muitas pessoas não tem conhecimento desse Guia, outras acham que ele serve somente para consulta por profissionais. Mas, esse é um pensamento equivocado! O Guia é para todos saberem como se alimentar de forma mais saudável, por isso o utilizamos tanto como referência aqui no Fechando o Zíper.

Hoje vamos explicar direitinho o que tem no novo Guia com a colaboração da Nutricionista Maria Laura Louzada, que participou da sua elaboração.

Confira alguns trechos do press release feito pelo NUPENS-USP sobre esse lançamento:
O novo Guia Alimentar para a População Brasileira

O Ministério da Saúde abriu consulta pública no último dia 10 de fevereiro para receber comentários e sugestões que aprimorem o novo Guia Alimentar para a População Brasileira. O documento de 80 páginas e fartamente ilustrado se encontra disponível no portal do Ministério. Sugestões podem ser enviadas até o dia 07 de maio de 2014.

O novo guia*, desenvolvido com o apoio do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo e da Organização Pan-Americana da Saúde, substitui o guia oficial anterior**, publicado em 2006. Sua preparação incluiu a realização de duas oficinas com pesquisadores, profissionais de saúde, educadores e organizações da sociedade civil de todas as regiões do Brasil.

Baseado nas mais recentes evidências científicas, mas elaborado em uma linguagem que procura ser acessível ao grande público, o novo guia se dirige tanto às pessoas e às famílias diretamente quanto aos profissionais de saúde e educadores que cuidam de nossa população.

O novo Guia traz recomendações e orientações para promover a saúde e o bem-estar de toda a população e para prevenir tanto a desnutrição, em forte declínio no país, quanto enfermidades em ascensão, como a obesidade, diabetes e outras doenças crônicas relacionadas à alimentação.



Novo Guia Alimentar para a População Brasileira (versão para consulta pública). Ministério da Saúde, 2014

Uma importante característica do novo Guia é a distinção feita entre
Alimentos (essencialmente partes de plantas ou de animais. São não processados quando não sofrem alterações após sua separação da Natureza) 
Produtos alimentícios, entre produtos alimentícios utilizados como ingredientes culinários (óleos, gorduras, sal e açúcar são produtos alimentícios usados para temperar e cozinhar alimentos e para criar preparações culinárias) 
Produtos prontos para consumo (fabricados pela indústria com emprego de pelo menos 2 ingredientes) 
Produtos prontos para consumo que são processados (ex: carne salgada) ou ultraprocessados (ex: embutidos). 

A consideração da natureza, tipo e propósito do processamento dos alimentos permitiu simplificar as recomendações gerais do Guia em três recomendações:

1) Fazer de alimentos e preparações culinárias a base da alimentação. Alimentos em grande variedade e predominantemente de origem vegetal formam uma base excelente para uma alimentação nutricionalmente equilibrada e saborosa. Variedade significa alimentos de todos os tipos, incluindo grãos, tubérculos, verduras, legumes, frutas, castanhas e nozes, cogumelos, água, leite e ovos, carnes e peixes, e variedade dentro de cada tipo.

2) Cuidar para que óleos, gorduras, açúcar e sal sejam usados com moderação em preparações culinárias. Desde que utilizados com moderação em preparações culinárias com base em alimentos, óleos, gorduras, sal e açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação sem comprometer seu valor nutricional.
3) Limitar a ingestão de produtos prontos para consumo e evitar aqueles que são ultraprocessados. Embora convenientes e de sabor pronunciado, produtos prontos para consumo tendem a ser nutricionalmente desequilibrados. Muitos favorecem o consumo excessivo de calorias e afetam negativamente a vida social, a cultura e o ambiente.

A regra de ouro: Prefira sempre alimentos e preparações culinárias a produtos prontos para consumo e evite produtos ultraprocessados.

Outra característica relevante do Guia é basear suas recomendações em padrões de alimentação praticados por uma parcela substancial da população brasileira, aquela que ainda baseia sua alimentação em alimentos e preparações culinárias.



Composição do almoço de brasileiros selecionados dentre aqueles que
baseiam sua alimentação em alimentos e preparações culinárias. NOVO Guia Alimentar para a População Brasileira (versão para consulta pública). Ministério da Saúde, 2014.

O novo Guia dá destaque especial às circunstâncias que envolvem o ato de comer (quando, como, onde e com quem comer) e considera, ainda, o impacto que as escolhas alimentares têm sobre o ambiente e a cultura.

Além disso, orienta para cozinhar o seu próprio alimento sempre que possível, fazendo do ato de cozinhar um momento familiar. Outra é: e, se precisar comer fora de casa, opte por restaurantes que servem comida, como os restaurantes ‘por quilo’ e evite as redes de fast food.


Conversa com a Nutricionista Maria Laura Louzada:
FZ: Nas avaliações do site, utilizamos, com frequência, a referência do Guia de 2006 sobre gorduras saturadas. Vimos que o Guia novo não classifica os tipos de gordura como o Guia antigo fazia e se limita a uma breve explicação no meio do contexto. Em relação ao colesterol, ele é citado apenas na parte dos ovos. Sentimos falta do posicionamento e da recomendação da gordura saturada e do colesterol no Guia novo. Haverá uma recomendação? Qual o seu posicionamento a respeito?

ML: Uma das bases desse guia é assumir que a relação entre alimentação e saúde vai além dos nutrientes (por favor, veja página 8). Claro que eles também são importantes, mas assumimos que, muito mais do que eles, os alimentos, as combinações de alimentos e os modos de comer são os mediadores da relação entre alimentação e saúde. Além disso, todas as experiências anteriores com guias alimentares em diferentes países nos mostram que é muito difícil transformar as evidências relacionadas a nutrientes isolados em recomendações para as pessoas. É muito difícil pensarmos em colesterol ou gordura saturada quando precisamos escolher o que comer e nos deparamos com diferentes combinações de alimentos.

Mas fora isso, certamente as recomendações do Guia dão conta do objetivo de orientar a moderação do consumo de colesterol e gordura saturada, apenas não usamos os termos explícitos como em outros documentos mais técnicos voltados para profissionais de saúde ou cientistas. Entre outras referências, consideramos as recomendações da Organização Mundial da Saúde (WHO 2003 e WHO, 2009), que assume a posição de que a gordura saturada e o colesterol, quando consumidos em excesso, são fatores de risco para doenças.

A limitação do consumo de produtos prontos para consumo per si já é a principal e mais importante recomendação que garantirá um consumo adequado de gordura total e gordura saturada e uma melhor qualidade geral da alimentação. Como um todo, os produtos prontos para consumo têm um perfil de nutrientes desequilibrado e contém maiores quantidades de gorduras totais e saturadas em relação às preparações culinárias (p. 23 até p.29) (dois artigos que mostram isso: MONTEIRO, C. A. et al. Increasing consumption of ultra-processed foods and likely impact on human health: evidence from Brazil. Public Health Nutrition, v.14, p.5-13, 2011. e MOUBARAC, J.C. et al. Consumption of ultra-processed foods and likely impact on human health. Evidence from Canada. Public Health Nutrition, v.21, p.1-9. 2012.)

Em relação às preparações culinárias, também destacamos vários pontos que dão conta disso: destacamos que, apesar de toda a sua importância na preparação de alimentos, o uso do óleo de cozinha não deve ser exagerado; priorizamos cortes magros e preparações grelhadas ou assadas de carnes e vegetais nos exemplos de refeições e recomendamos o consumo preferencial de leite com reduzida quantidade de gordura (p. 45 a 57).

Em relação ao colesterol, sabemos que esse problema não é tão presente na população brasileira quanto o consumo exagerado de gordura saturada, por isso nossa preocupação foi menor (referência: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: análise do consumo alimentar pessoal no Brasil. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2011.) Podes observar, no entanto, que, no capítulo 3, está bem enfatizada a necessidade de moderação do consumo de carnes, em especial as vermelhas. Nos exemplos de refeições, as carnes estão presentes em porções pequenas e em dias limitados. Além disso, há o estímulo para o consumo de peixes e pratos feitos somente com vegetais, o que diversifica a alimentação e aumenta o consumo de outros tipos de gordura benéficas para a saúde.

Acreditamos, portanto, que todas as recomendações relacionadas aos nutrientes podem ser tratadas apenas falando de comida, que é algo bem mais próximo da população.

Veja abaixo alguns comentários extremamente positivos que o Guia recebeu exatamente por ser baseado em comida e não em nutrientes…

http://www.foodpolitics.com/2014/02/brazils-new-dietary-guidelines-food-based/

http://www.onegreenplanet.org/news/brazil-proposes-suprisingly-simple-new-dietary-guidelines/

FZ: Com base no teu pedido de lermos a página 8, nos veio um questionamento comum dos leitores: o consumo de alimentos fortificados com vitaminas e minerais da no mesmo do que consumir esses nutrientes naturalmente presentes em alimentos?

ML: Na verdade, o que sabemos é que, independente da absorção, eles não reproduzem os mesmos efeitos dos nutrientes presentes naturalmente nos alimentos. E, além disso, sabemos que há uma sinergia entre nutrientes…por exemplo, as frutas são protetoras para a saúde não exatamente por seus nutrientes isolados, mas pela sua composição com um todo. Quando tentamos reproduzir os efeitos isolando nutrientes, o mesmo não acontece. O mesmo acontece com “padrões de alimentação” protetores: não sabemos exatamente quais são os fatores que fazem a dieta mediterrânea ser tão benéfica para a saúde, pois não podemos isolar seus itens. O que sabemos é que esse padrão como um todo é benéfico. Também não temos muitos estudos sobre quais seriam os efeitos negativos desses nutrientes sintéticos em longo prazo. Por isso acreditamos no nosso papel de incentivar o consumo de nutrientes pela comida.

FZ: Quais as principais inovações do Novo Guia?
ML: Além de falar de comida e usar menos termos técnicos e de nutrientes, acho que seria legal também destacar outra inovação do Guia que é falar das circunstâncias que envolvem o ato de comer (como, onde e com quem comer). Nesse capítulo, também há uma demarcação do posicionamento feminista do Guia, que é de valorizar o compartilhamento de todas as atividades relacionados ao ato de comer (desde seleção, compras, preparo até a higienização de utensílios). Sabe-se que historicamente essas tarefas foram de responsabilidade da mulher e, com a dinâmica de trabalho atual, a única forma de mantermos e cultivarmos o prazer pela culinária e não deixarmos as tarefas pesarem apenas para uma pessoa da família.

Outras duas inovações que acho muito interessantes:

- basear as recomendações em padrões de alimentação praticados por uma parcela substancial da população brasileira, aquela que baseia sua alimentação em alimentos e preparações culinárias. Ou seja, a principal base do Guia é aquilo que a gente já come e não aquilo que está destacado em estudos e que, muitas vezes, foram feitos em países com hábitos alimentares bem diferentes dos nossos.

- destacar e discutir alguns obstáculos que podem ser encontrados para o seguimento das orientações do Guia (último capítulo). Isso é extremamente relevante, pois assumimos que o ato de comer não é algo ligado puramente a escolhas individuais, mas muito ligado ao ambiente alimentar, ao acesso e à informação. Por isso, esse Guia também tem o papel de empoderar as pessoas para lutarem pela garantia de melhores condições para se alimentarem no lugar onde vivem.

FZ: Como as pessoas podem participar da Consulta Pública?


ML: A Consulta é um instrumento fundamental da democracia, onde qualquer pessoa pode se posicionar. Um dos maiores desafios da equipe que escreveu o Guia foi de tentar traduzir as recomendações técnicas em uma linguagem acessível para todos. Qualquer contribuição nessa área já seria de extrema importância!

Agradecemos à Maria Laura pela excelente contribuição!

Contribua com o Novo Guia, participe da consulta pública clicando AQUI e divulgue para que todos possam ajudar também!

Fontes:

Profissional entrevistada: Nutricionista Maria Laura Louzada. Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (NUPENS/USP).

*Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira (versão para consulta pública), 2014.

**Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira, 2006.

- See more at: http://fechandoziper.com/blog/alimentacao-saudavel/saiba-tudo-sobre-o-novo-guia-alimentar-para-a-populacao-brasileira/#sthash.3hizvC56.dpuf

Comentários

  1. -Não há evidências de que a gordura saturada na dieta aumente o risco de ataques cardíacos ou de quaisquer outros eventos cardiovasculares;
    -Não há evidências de que o consumo de gorduras insaturadas proteja contra doenças cardíacas;
    -Gorduras trans são as que realmente fazem mal;
    -Gordura saturada até pode aumentar o LDL, mas aumenta também o HDL, e o TIPO de LDL transforma-se em LDL padrão A (partículas maiores, menos densas, menos oxidadas, e menos aterogênicas, isto é, uma partícula de LDL que não é propensa a se acumular nas artérias)
    -Ao analisar as concentrações de ácidos graxos específicos na corrente sanguínea, os pesquisadores acharam:
    --O ácido margárico, uma gordura saturada presente na manteiga e outros laticínios gordos, estava associado a MENOR risco cardiovascular;
    --EPA e DHA (ômega-3) estava associado a MENOR risco;
    --Vários ácidos graxos ômega-6 estavam associados com MAIOR risco!
    Fonte: http://annals.org/article.aspx?articleid=1846638

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que tal vc contribuir com suas colocações para o Guia, no texto tem um link para quem quer participar.

      Excluir

Postar um comentário

Faça seu comentário.
Ele nos ajuda a pesquisar os assuntos que interessam a você, leitor.

Postagens mais visitadas