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"SUS deve ser projeto civilizatório de cuidado integral", avalia médico"

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares promoveu debate na 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária

Juliana Gonçalves
Fonte: Brasil de Fato | São Paulo (SP),07 de Maio de 2017 às 19:56

Debate uniu especialista da área da saúde e da alimentação / Miriam Martins


"O SUS [Sistema Único de Saúde] não pode ser apenas uma grande estrutura de assistência e tecnologia, mas sim um projeto civilizatório de cuidado integral da pessoa humana". A opinião é de Stephan Sperling, médico especialista em Medicina de Família e Comunidade, membro da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMMP) e do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (CEBES). Ele participou como palestrante do debate "SUS: não queremos assistência, queremos cuidado", realizado neste domingo (7), durante a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária, na capital paulista. A atividade foi promovida pela RNMMP.

Sperling aponta as três evoluções do SUS desde sua criação, em 1990. São elas: a concepção do cuidado de doenças, a incorporação da tecnologia para o tratamento e, por fim, a que acontece neste momento, em que há desmonte e cortes de financiamento. "Cada vez mais a gente percebe que os projetos políticos e técnicos da saúde devem cuidar da pessoa humana integralmente", considerou o médico.

Com relação ao tema específico da saúde do trabalhador rural, é preciso mais atenção do poder público e da sociedade, segundo José Erivalder Guimarães, médico especialista em Medicina do Trabalho pela USP (Universidade de São Paulo) e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo. "A atenção à saúde do trabalhador rural precisa ser melhor aprofundada e passar a ser parte da reivindicação do movimento social", afirmou. Para ele, as reformas trabalhistas e da Previdência trazem impactos negativos que vão afetar a qualidade de vida e saúde dessa população.

Guimarães acredita que muitas vezes os aspectos sociais e econômicos da vida do trabalhador rural não é considerado nos debates de saúde. "Não há apenas o problema dos agrotóxicos", ponderou. "A saúde não pode ser vista apenas como o cuidado da pessoa, mas sim o que a Organização Mundial de Saúde [OMS] preconiza que é o bem-estar social", concluiu.

Erika Fischer, ex-coordenadora de Alimentação Escolar da Prefeitura de São Paulo e articuladora da Política de Atendimento Integral à Primeira Infância "São Paulo Carinhosa", trouxe informações sobre os programas de alimentação escolar. "A experiência com alimentação escolar em São Paulo foi digna de replicação por aplicar a Lei 11947/2009 que preconiza a compra da agricultura familiar pela prefeitura e estado e, para além disso, por efetivar programas de educação alimentar que ultrapassam os muros da escola", afirmou. Como legado da gestão anterior, a prefeitura possui um plano de metas que privilegia os alimentos orgânicos e pretende, progressivamente, modificar a alimentação das crianças para que ela seja substituída integralmente por alimentos orgânicos.

Fischer ressaltou, no entanto, a preocupação no que se refere ao sinais de retrocessos na alimentação escolar saudável da capital paulista, na gestão atual de João Doria (PSDB). "As compras da chamada pública da agricultura familiar e orgânica envolve para além de recursos, vontade política", criticou ela, ao afirmar que o governo municipal culpa a crise para justificar o não cumprimento da Lei 11947/2009.

Veja trechos do debate neste vídeo
Edição: Luiz Felipe Albuquerque

Seminário debate conflito de interesses na alimentação

Fonte: REBRINC



Já pensou como o poder das grandes corporações pode afetar a vida da população? O que se esconde por trás de certas parcerias público-privadas nas áreas da saúde e da alimentação e nutrição? Essas e outras questões serão debatidas no Seminário “Conflito de Interesses em Alimentação e Nutrição: Cenários e perspectivas”. O evento multidisciplinar, gratuito e aberto à comunidade, acontece no dia 17 de maio de 2017, das 9h às 18h, em Porto Alegre, no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS.

Para a coordenadora do evento e do Núcleo Interdisciplinar de Prevenção de Doenças Crônicas na Infância da UFRGS, Noemia Goldraich, o debate sobre o conflito de interesses é relativamente recente, tendo se intensificado nos últimos dez anos. “É importante pensarmos sobre conflito de interesses e políticas públicas. Temos que ressaltar que o setor privado visa lucro. O interesse público, em condições democráticas e de transparência, deve se expressar em políticas públicas, que são os mecanismos legais de proteção e garantia de direitos. Na área da alimentação e nutrição as ações das grandes corporações se caracterizam por ações que comprometem a segurança alimentar e nutricional da população e a soberania alimentar do país”, explica Noemia.

Alimentação e doenças crônicas

“Precisamos entender que a crescente prevalência de obesidade e outras doenças crônicas também é resultado da ação das indústrias transnacionais que produzem alimentos ultraprocessados, comercializados em escala mundial”, ressalta. A ampla utilização de estratégias de publicidade para ampliar a divulgação e venda destes produtos, que atingem adultos e também crianças, associada à conveniência e ao baixo custo são fatores que potencializam o consumo de tais produtos, alerta a médica.

Noemia lembra que os conglomerados transnacionais oferecem, em termos de alimentação, produtos que vão no caminho oposto ao que se recomenda em termos de políticas de promoção da saúde. Ela lembra que o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, defende alimentos in natura e minimamente processados.

Integrante da Rede Brasileira Infância e Consumo, Noemia Goldraich reforça que os conflitos de interesses precisam ser conhecidos e debatidos, com transparência, não apenas pelos que atuam na área específica da Nutrição e Alimentação, mas também pelos gestores, que constroem políticas públicas, que afetam a vida da sociedade. “E a população, como um todo, também precisa ser informada sobre os conflitos de interesses para reivindicar a proteção da sua saúde”, enfatiza.

O seminário “Conflito de Interesses em Alimentação e Nutrição: Cenários e perspectivas” é destinado a professores, acadêmicos, pós-graduandos e profissionais de todas as áreas da saúde, educação, comunicação, direito, publicidade, políticas públicas, administração, economia, entre outros. Organizações e movimentos como a ACTBr e a Aliança pela Alimentação Saudável e Adequada também participam do evento.

Saiba mais aqui (site da UFRGS).

Inscrições online a partir de 5 de maio de 2017.

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