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Produtos orgânicos podem ser pedidos pelo WhatsApp em São Paulo

Fonte: Brasil de Fato Nadine Nascimento* São Paulo (SP),26 de Dezembro de 2018 às 10:01 Alimentos de assentamentos da reforma agrária são ...

Produtos orgânicos podem ser pedidos pelo WhatsApp em São Paulo

Fonte: Brasil de Fato
Nadine Nascimento*
São Paulo (SP),26 de Dezembro de 2018 às 10:01

Alimentos de assentamentos da reforma agrária são entregues quinzenalmente na Zona Sul da cidade


Roseli Maria Paini, assentada do Dom Tomás Balduíno: aliança campo-cidade fortalece a luta pela terra e pela alimentação saudável para todos / Daniela Stefano


Quem mora em São Paulo e vive na correria da maior cidade da América Latina pode pensar que é complicado encontrar produtos orgânicos a preços acessíveis. Mas isso não é verdade. Consumir produtos sem veneno pode ser mais simples do que você pensa.

Uma opção prática é entrar em contato com pessoas que fazem a aliança entre os agricultores no campo e os consumidores na cidade. O pedido de frutas, verduras e hortaliças sem agrotóxico pode ser feito via WhatsApp!

Maria Alves é acampada na Comuna da Terra Irmã Alberta, que fica na região de Perus, na capital paulista. Ela é uma agricultora do acampamento do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que oferece alimentos orgânicos para quem mora na área urbana.

“Essas hortaliças e frutas são sem agrotóxicos, sem adubo químico, sem nenhum veneno. Aqui a gente procura recursos naturais. Eu garanto que vai limpinho. Quando vocês receberem o kit lá, podem ter certeza que vocês conhecem a origem do produto”, garante Maria Alves, acampada na Comuna da Terra Irmã Alberta, na região de Perus.

Aliando o campo e a cidade, Marilene de Camargo e Paulo Nakamura recebem pedidos de consumidores urbanos nos grupos de aplicativo de celular e ofertam os produtos disponibilizados por produtores como a Maria. As entregas acontecem quinzenalmente na zona sul de São Paulo.

“Um dos problemas do assentamento é a distribuição de mercadoria. O pessoal não tem transporte e os produtos são perecíveis. Então, desde outubro de 2017, a gente começou a fazer um grupo de compras”, conta Marilene.

Resistência

Para Paulo Nakamura seu trabalho contribui para aproximar aqueles que produzem, daqueles que procuram os alimentos orgânicos, quebrando a lógica do mercado. “A ideia é não ter lucro. Queremos fazer esse trabalho através do relacionamento entre as pessoas e não através da mercadoria, um relacionamento humano entre trabalhadores e consumidores”, acredita.

Localizado em Franco da Rocha, cidade da grande São Paulo, o assentamento Dom Tomás Balduíno completou 16 anos em 2018. Em sua extensão de oito mil hectares, vivem 63 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para Rosely Maria Paini, assentada do Dom Tomás, essa aliança campo-cidade fortalece a luta pela terra e pela alimentação saudável para todos.

“Essa interlocução de quem compra e quem vende é muito importante. É muito legal porque as pessoas trazem força para a gente. Elas se identificam com a luta, e muitas delas são lutadoras também em seus espaços. A gente junta aqui as experiências, as forças e essa identidade. Por isso, estou sempre de portas abertas. A conquista da terra não foi uma conquista só nossa, ela foi de muita gente”, diz a assentada.



Serviço


Os produtos ofertados pelos assentados são variados, vão desde verduras, legumes, até frutas, todos orgânicos. Tem alface, couve, rúcula, cebolinha, cenoura, beterraba, mandioca, abacate, limão, banana, uva, entre outros. Neste ano, os assentamentos puderam vender cerca de quatro toneladas de manga através de grupos como este organizado por Marilene e Paulo Nakamura.

Os pedidos são feitos até a quinta-feira duas vezes no mês. A entrega é realizada quinzenalmente aos sábados no Centro de Defesa dos Direitos Humanos Frei Tito de Alencar Lima, na rua Jacinto Paes, 57, em Americanópolis, Região Sul de São Paulo. Para pedir, basta entrar em contato pelo (11) 98972-4382.

* Produção: Daniela Stefano
  Edição: Daniela Stefano

Sempre sonhou em ter um sítio? Não precisa mais: na Sta. Julieta Bio é possível ser “sócio” da produção

Fonte: Projeto DRAFT
Priscilla Santos - 19 de novembro de 2018


Rafael Coimbra fala como largou uma agência de publicidade para produzir cestas de alimentos livres de agrotóxicos em um sistema colaborativo e com compradores conscientes do propósito do negócio (foto: Daniel Ferreira).

Uma conexão entre economia colaborativa, sustentabilidade e comer como ato político. Esta é uma maneira de resumir a empreitada do paulistano Rafael Coimbra, 33, à frente da comunidade de produção de alimentos orgânicos Sta. Julieta Bio desde janeiro de 2017. Localizada em Santa Cruz da Conceição (SP), a cerca de 200 quilômetros da capital, a fazenda de lazer da família teve parte de seus lotes ocupados pela plantação de alimentos sem agrotóxicos e certificados pelo Instituto Biodinâmico (IBD).

Atualmente, as folhas e frutos da época são vendidos em cestas para 201 famílias de seis cidades do estado — a capital, Leme, Pirassununga, Araras, Porto Ferreira, além da sede da fazenda. Os valores mensais vão de 115 a 240 reais, conforme a localidade e o tamanho (P, com cinco ingredientes, ou G, com nove). Mas o negócio vai muito além do convencional delivery de orgânicos em domicílio.

A começar pelo fato de que a entrega não é feita em casa, mas sim em um local único pré-combinado, onde as pessoas vão retirar as cestas, cujos itens elas só conhecem cerca de três dias antes. São basicamente eleitos os alimentos com “mais vitalidade” da colheita da semana. O intuito de todos irem para a retirada é prover o encontro entre produtores e co-produtores (mais do que consumidores, os usuários são vistos como parceiros de negócio).

Isso porque a Sta. Julieta Bio segue o sistema de CSA (do inglês, Community Supported Agriculture ou comunidade agrícola sustentada, em tradução livre). Os interessados iniciam sua relação com a fazenda assinando um termo em que prometem pagamentos mensais adiantados, preferencialmente por períodos semestrais ou anuais, embora seja possível sair da comunidade a qualquer momento (basta avisar com uma semana de antecedência).

A cada troca de estação, os membros são convidados para uma visita à fazenda, onde há apresentação dos investimentos feitos, os plantios que vão ser finalizados e iniciados — respeitando-se a época das estações — além de um café da manhã de confraternização e atividades educativas e de plantio para crianças e adultos. Quem quiser ver as contas, checar a folha de pagamento e carteira de trabalho dos funcionários também pode se sentir livre para pedir.

Assim, mais que consumidores, é como se os participantes fossem co-proprietários da fazenda, em uma forma de compartilhamento da terra. “Para um futuro mais consciente, precisamos mudar a maneira como consumimos. Isso já está acontecendo com o entretenimento, via Netflix, com as casas, no AirBnb, e com o deslocamento nas cidades, com o Uber. O CSA é você plantar o seu alimento sem ter uma fazenda”, afirma Rafael.

Não basta, no entanto, abrir um aplicativo e clicar em comprar para um cesto de cenouras aparecer em meia hora na sua porta. O envolvimento é mais profundo, sempre seguindo a disponibilidade dos interessados. O fundador fala mais a respeito:


“O usuário pode viver esse universo, acompanhando a rotina de trabalho da fazenda. Pode ir lá plantar, levar os filhos, ter essa relação com a terra, mas sem ter a terra”

A vantagem para o agricultor é a tranquilidade de que sua produção está paga e que o tempo dele — em vez de ser desperdiçado correndo atrás de comercialização, cobranças e afins — é gasto apenas em trabalhar na terra. Com o pagamento adiantado, a fazenda também consegue planejar novos investimentos, como a compra de ferramentas e de um carro refrigerado, usado nas entregas. Porém, a opção pelo CSA não foi algo simples. Antes, Rafael precisou dar uma guinada na vida.

UM PULO: DO MUNDO DIGITAL DIRETO PARA A TERRA

Nascido em uma família com tradição no plantio de café, ao contrários dos irmãos, Rafael não havia se interessado em trabalhar na empresa do clã, que ainda se mantém na indústria cafeeira. O que herdou do avô — um dos pioneiros na comercialização dos grãos com a China — foi o tino empreendedor.



Os produtores da Sta. Julieta Bio privilegiam os ingredientes de maior vitalidade colhidos na semana. Uma caixinha de surpresas para quem compra (foto: Daniel Ferreira).

Quando se formou em Publicidade e Propaganda pela FAAP, ele trabalhou em agências e chegou a abrir a própria, de monitoramento de redes sociais. O experimento com a terra só veio anos depois: “Se você tivesse sentado comigo aqui nessa mesa dez anos atrás, eu seria outro. Com 40 quilos a mais, problemas para dormir e olheiras”, diz à reportagem.

Após uma consulta em que ouviu do médico “não sei o que você está fazendo na vida, mas mude”, Rafael buscou uma alimentação mais balanceada e se interessou pelos orgânicos. Deixou os clientes na agência e seguiu com os planos. Vale destacar que o fato de atender duas marcas de adoçante e uma de chá verde, que também continha adoçante, entre outros químicos, foi mais um empurrãozinho para mudar.

Nesse entremeio, assumiu um posto na empresa de café da família e passou a frequentar feiras de orgânicos, assinar uma cesta de alimentos semanal da Fazenda Santa Adelaide, conversar com produtores e visitar sítios. Foi oferecendo carona em uma dessas viagens que ele conheceu Ana Letícia Sebben, 32, hoje co-gestora da Sta. Julieta Bio. Ele conta:

“Já não estava mais preocupado só comigo, mas com a pegada de carbono do que comia, com o quanto de água tinha sido gasto no plantio, a remuneração dos trabalhadores etc.”

Ele prossegue: O ato de comer já era muito mais profundo e pouca gente ao meu redor entendia isso”. Um dia, ao abrir o livro Em Defesa da Comida, de Michael Pollain, Rafael se deparou com a frase: “Cozinhe. Se puder, plante uma horta”. Fechou o livro, pegou o carro e dirigiu até a fazenda Santa Julieta, levando, em uma sacola, um punhado de legumes orgânicos que havia comprado no mercado. “Quando desci do carro, naquele pôr do sol alaranjado e olhei para aqueles tomates no porta-malas, pensei que aquilo não tinha sentido. Resolvi, então, fazer uma horta”, diz. No dia seguinte, chamou o administrador da fazenda e deu início ao projeto, com o investimento inicial de 44 mil reais.

Hoje, após o aporte de 270 mil reais, a fazenda tem três principais plantações orgânicas. Além da horta original, em formato de mandala, seguindo os preceitos da permacultura, há uma agrofloresta (tipo de plantio em que produtos agrícolas são cultivados lado a lado de árvores frutíferas e não frutíferas, como forma de recuperar solos degradados). Os eucaliptos (normalmente demonizados, mas só problemáticos em monoculturas) têm raízes que chegam a seis metros de profundidade e capturam água de lençóis freáticos quando não chove. “Assim, não precisamos de sistema de irrigação nenhum nesse plantio”, diz. As folhas são cortadas e lançadas ao solo, como adubo, mimetizando o que ocorre em uma floresta naturalmente.



Agrofloresta em área separada do CSA. O plantio de árvores frutíferas e não frutíferas na Sta. Julieta Bio é uma estratégia para recuperação do solo (foto: Daniel Ferreira).

A agrofloresta foi implementada com o auxílio de Richard Charity, consultor em sistemas agrícolas sustentáveis e cadeias de produção regenerativas. Foi ele, também, quem ajudou a selecionar o terceiro terreno para plantio na fazenda e falou para Rafael, pela primeira vez, sobre o sistema de comunidade agrícola sustentada.

A sigla CSA surgiu em meados dos anos 1980, nos Estados Unidos, com a proposta levada por produtores europeus que seguiam a agricultura biodinâmica e distribuição baseada na co-produção desde a década anterior. Mas são os japoneses os verdadeiros “inventores” dessa história, em um movimento denominado Teikei, que inclui atualmente 20 milhões de pessoas no país (mais de 1/4 da população). “Os Teikei surgiram por uma preocupação das donas de casa japonesas com segurança alimentar”, diz Rafael.

Hoje, a rede internacional de CSAs conta com cerca de 2 milhões de membros. No Brasil, a ideia começou a ser implementada nos anos 2000, no Nordeste. Richard foi um dos criadores de um CSA no Ceará, que se mantém ativo até hoje. “Quando ele me falou do conceito, fiquei com receio. Em São Paulo, as pessoas querem facilidade, comodidade, receber em casa. Nesse sistema, não se escolhe o que vem na cesta, o cliente precisa fazer a retirada e ainda tem a relação com produtor. Mas pensei: se essa é uma opção para não ser o orgânico que não quero ser, com atravessadores, vamos tentar.”

COMO COMUNIDADE, RISCOS E PROBLEMAS TAMBÉM SÃO COMPARTILHADOS

O primeiro grupo de CSA da Sta. Julieta Bio, com cerca de seis membros, surgiu em junho de 2017, na cidade de Leme (a cerca de dez quilômetros da fazenda). A proposta começou em um restaurante saudável da cidade, após uma palestra sobre orgânicos para cerca de 60 pessoas. Alguns moradores levantaram a mão, dizendo que queriam fazer parte de uma comunidade assim. O ponto de distribuição passou a ser a garagem da casa de um dos membros — algo semelhante ao que acontece hoje com a comunidade da Vila Olímpia, na capital paulista, onde existe até um membro do grupo, um advogado, que se voluntaria na entrega das cestas em seu horário de almoço.

“Nos primeiros encontros, não ia quase ninguém. Foi quando resolvemos procurar um público com quem sabíamos falar a mesma linguagem e apareceram as surpresas”, diz Rafael. Ele comentou com a professora de yoga sobre o projeto e daí começaram uma série de experimentos de co-produção e distribuição, tendo como ponto de encontro inicial a escola de yoga. Primeiro, tentaram desenvolver um aplicativo que conectasse produtores e consumidores. Depois, resolveram fazer um teste com um grupo de mães praticantes de yoga, que serviram como beta testers, não apenas dos alimentos, mas do sistema CSA como um todo.

Até que, enfim, chegaram ao jardim de infância Quintal do João Menino, na Vila Madalena. Conversaram com a diretora, fizeram uma palestra inicial explicando a proposta para os pais e teve início a primeira comunidade em São Paulo, que segue na ativa. Hoje, alguns dos 201 membros da Sta. Julieta Bio já fazem pagamentos adiantados de três, seis meses e até um ano, justamente por entenderem a fundo a proposta. Mas isso não é obrigatório. Rafael diz:

“Entendemos que existe certa resistência a compromissos de longo prazo no Brasil. Por isso, não pressupomos prazos maiores que um mês no termo de adesão das cestas”

Ele continua: “Temos que funcionar com cabeça de startup, no sentido de que estamos começando um mercado novo”. Os riscos também são compartilhados. Se houver uma geada e toda uma produção de tomates for perdida, por exemplo, as pessoas precisam entender.


Encontro na Sta. Julieta Bio entre produtores e co-produtores a cada virada de estação, com café da manhã de confraternização, apresentação de investimentos e planejamento de plantios (foto: Daniel Ferreira).

E os percalços acontecem. Desde os da natureza (porcos e javalis já atacaram a plantação de mandioca e batata doce, o excesso de chuva prejudicou a aparência das cebolas) passando pelas tentativas e erros de um empreendedor que tem experiência em negócios, mas não em agricultura.

Já houve plantios que não deram certo, como da couve-de-bruxelas, que não se adaptou às condições locais. Mesmo assim, Rafael agora tenta plantar pêssegos e figos, que também costumam ser importados.

Sem contar a epopeia com grão-de-bico, leguminosa que o fundador não entendia porque nunca encontrava orgânico, se era um alimento como o feijão, tão comum por aqui. “Achamos uma semente de grão-de-bico desenvolvida pela Embrapa e insisti muito para que o cientista me enviasse uma amostra para teste. No dia do meu aniversário, chegou uma caixa com as sementes. Fizemos o primeiro plantio, colhemos, tudo perfeito”, fala. Aí, avisaram às pessoas da comunidade, fizeram lista de espera de interessados, conseguiram mais sementes, plantaram, mas acabaram perdendo a produção toda por uma falha no calendário…

O PRINCIPAL ADUBO PARA UM CRESCIMENTO SAUDÁVEL É O DIÁLOGO

Essas questões são resolvidas com a comunidade com muito diálogo, ao vivo ou por WhatsApp. Os atropelos são comunicados e, normalmente, compensados com envio de um produto diferente ou aumento de quantidade de algo que já fosse da cesta. Além dos avisos e comunicados da previsão de colheita para a semana seguinte, os grupos são usados para trocas de receitas entre os membros e tomada de decisões conjuntas, como passar a devolver a caixa de papelão em que vêm os produtos para ser reutilizada.

Após os custos com as embalagens serem abertos, os próprios membros tiveram a ideia de devolver o material e ainda passaram a enviar caixas de tamanhos similares que tinham em casa para serem utilizadas. Quando foi anunciado, por exemplo, que havia tomates “feinhos” em uma semana, foi proposto compensar o item da cesta com outro produto, mas a maioria disse que os receberia assim mesmo, como conta Rafael:

“Os co-produtores sabem que sua escolha alimentar é uma escolha política. Eles estão ‘votando’ em nós em vez de dar seus subsídios para grandes organizações”

Os planos para o futuro incluem ampliar a produção e, assim, conseguir recuperar o investimento, o que está previsto para 2022. A meta é vender 400 cestas semanais — hoje são 200 (com faturamento mensal de 35 mil reais). E as expectativas são positivas, visto que o projeto saiu de seis para 201 co-produtores em um período de 15 meses. Agora, para duplicar a renda, será preciso aumentar a área de produção. Há também testes com ferramentas novas para roçar a terra ou cortar folhas finas e delicadas, o que pode acelerar processos.

“Existem exemplos de CSA fora do país que lucram de 60 a 100 mil dólares por acre anualmente. Temos certificados 30 hectares, mas de plantação, de fato, hoje são apenas três. Ainda dá para expandir muito dentro da fazenda e acreditamos que vamos escalar quando conseguirmos passar esse modelo para outros produtores”, diz o empreendedor. Ele já recebeu convites de associações agrícolas para a implementação de projetos similares, mas ainda não se sente preparado para esse passo: “Achei que ainda estava um pouco verde para isso”, afirma Rafael, pedindo perdão pelo trocadilho.

DRAFT CARD
Projeto: Sta. Julieta Bio
O que faz: Plantação e venda de orgânicos
Sócio(s): Rafael Coimbra
Funcionários: 11
Sede: Santa Cruz da Conceição (SP)
Início das atividades: Janeiro de 2017
Investimento inicial: R$ 44.000
Faturamento: R$ 35.000 por mês
Contato: tanaepoca@stajulieta.bio

Cidades sem Fome: A ONG que transforma terrenos abandonados em hortas orgânicas

Projeto utiliza terrenos sem uso, abandonados e até espaços de torres de energia para cultivar alimentos saudáveis para a periferia e fortalecer economia local.

Fonte: HUFF Post Brasil
By Luiza Belloni





HUFFPOST BRASIL Horta de alfaces da Cidades sem Fome.

De domingo a domingo, Sebastiana Helena de Farias, mais conhecida como dona Sebastiana, acorda bem cedo e vai para a horta, um terreno comprido, porém estreito, em São Mateus, na zona Leste de São Paulo. Há cerca de 10 anos, ela tem esta mesma rotina, mas teve que trabalhar ainda mais neste ano, após seu marido Genival morrer. Era ele quem fazia boa parte do trabalho de cultivo.

Apesar de modesta, a horta é orgânica e produz muitos alimentos, como milho, mandioca, feijão, coentro, alface, banana e tomate. "Aqui falta mercadoria, tudo isso plantado e ainda falta quantidade", diz, orgulhosa, apontando para a vegetação verde tomada por alimentos. Ela explica que muitas vezes, tem mais cliente do que produto. "Depende da natureza, a gente trabalha como ela quer, né? A gente põe os adubos, não tem agitação para ela correr, é tudo época certa, e por isso atrasa", disse a pernambucana de 67 anos ao HuffPost Brasil.

Dona Sebastiana é uma das beneficiadas da Cidades sem Fome, organização sem fins lucrativos voltada para hortas coletivas e urbanas. Há 14 anos, a ONG faz o que parece impossível em São Paulo: utilizar áreas e terrenos sem uso ou abandonados para hortas orgânicas. Assim, a ONG gera renda e alimento natural nas áreas periféricas da cidade, onde o emprego e o acesso aos alimentos saudáveis são escassos.

Segundo dados da Fundação Seade, São Mateus é o bairro que registrou a maior taxa de desemprego na capital paulista no ano passado: cerca de 20%, enquanto em toda a cidade, a porcentagem de desempregados é de cerca de 17%.

"Faz uns 9 anos que estou aqui, e a ONG começou a ajuda faz uns 3 ou 4 anos. Meu marido foi embora há um ano, e eu pensei que não ia aguentar, mas tive muita ajuda da ONG e dos vizinhos", contou dona Sebastiana. A horta é um complemento da sua renda, que se limita à aposentadoria correspondente a um salário mínimo que foi pago com carnê mês a mês até completar 60 anos. "Ela [ONG] começou a divulgar, a pegar as mudas, colocou cobertura nas plantas. Então tudo isso ajuda muito. Eu pago minhas contas daqui e assim a gente vai vivendo, né filha?", acrescentou.

Além de dona Sebastiana, a horta também é o sustento de outras dezenas de famílias, que diariamente plantam, colhem e vendem seus produtos para a clientela da região.


LUIZA BELLONI Dona Sebastiana, em sua horta em São Mateus, zona Leste.

Francisco Assis de Araújo, de 66 anos, é um deles. Apesar de não ter seu próprio pedaço de terra na horta comunitária, ele trabalha de 6 a 7 dias por semana para os donos dos lotes, como dona Sebastiana. "A gente fez acordo para trabalhar na horta dela, uma parceria né? Depois que o Genival faleceu, dona Sebastiana precisa de mim todos os dias", conta Assis, que veio de Ouro Brando, no Rio Grande do Norte, para São Paulo aos 23 anos de idade.

Apesar de estar aposentado há quase de 19 anos, ele trabalha na horta há um ano e meio e diz que a renda extra é um complemento para a casa. O dinheiro, porém, não é o único motivo que o faz trabalhar de segunda a sábado com a enxada. "Eu me arrependi de te me aposentado. Fica nessa coisa monótona. Sabe o que é? A gente está acostumado a trabalhar. Nasci e me criei trabalhando. Aí chega uma hora que eu vou cruzar os braços? O organismo não aceita isso", desabafa. Ele diz que, ao se aposentar como metalúrgico, começou a ficar triste e achou que estava com início de depressão. Isso mudou quando começou a fazer bicos para sua antiga empresa e desde que recebeu convite para ajudar na horta. "Eu só paro de trabalhar quando for para o interior de São Paulo", disse.

Ele e a mulher sonham em ter uma vida calma no interior, já que seu casal de filhos já está "crescido" — a filha mais nova vai se casar no próximo ano e, o menino, mora em Los Angeles, nos EUA. Mas, por enquanto, a horta é sua rotina. "Eu passo a enxada, tiro o mato e vou plantar o coentro. Me faz bem aqui, apesar do cansaço, é melhor do que ficar em casa, né?"


LUIZA BELLONI Hortas urbanas e coletivas que fazem parte da ONG Cidades sem Fome.

'O objetivo é gerar renda, emprego e dar capacitação'

Dona Sebastiana e seu Francisco são casos típicos dos brasileiros que trabalharam duro a vida inteira, não tiveram a chance de se capacitarem profissionalmente e hoje vivem às margens do mercado de trabalho. Esse é o perfil de beneficiários que é foco da Cidades sem Fome, que desenvolve projetos de agricultura sustentável e orgânica em áreas urbanas.

"Existem várias políticas públicas para inserir o jovem no mercado de trabalho, mas não existe nenhuma política pública para pessoa que está saindo dele", conta Hans Dieter Temp, fundador do projeto. "São pessoas que vieram de outro estado para trabalhar em São Paulo, não têm uma aposentadoria suficiente, não têm casa, não têm assistência médica e dependem do filho e de um parente. Esse pessoal saiu do mercado do mesmo jeito que entrou: sem qualificação e com contas para pagar", disse Hans.

Após trabalhar por anos na iniciativa privada, Hans decidiu buscar um projeto social que não fosse apenas assistencialista. Essa ideia veio quando ele estava na Alemanha, enquanto cursava técnico em Agropecuária e Políticas Ambientais, na década de 90. "Na Alemanha, eu vi muita gente milionária botar suas luvinhas no final de semana e podar suas macieiras ou plantar flor com a família. Quando a gente olha a Europa, a gente fala 'nossa que lugar limpo, os poderes públicos trabalham muito bem, que inveja'. Mas quando você vive lá, você percebe que não é prefeitura que faz isso, é a comunidade", explica. "E eu pensei: por que não fazer isso no Brasil? A gente tem um clima bom, chuvas são bem distribuídas, temos milhares de desempregados e mais de 20 milhões de consumidores", disse.

Hans voltou para São Paulo e, em 2004, a ONG foi criada. As dificuldades, no início, eram grandes. Além de não ter verba, nem pessoal suficiente, ele também sofria muita resistência quando o assunto eram produtos orgânicos.
No começo não foi fácil. 14 anos atrás, esse papo de comida saudável, energia limpa e comida orgânica era um tabu. As pessoas me perguntavam: por que vou comer orgânico?

Essa foi uma das barreiras para conseguir espaços para começar a fazer hortas, já que todos os terrenos usados pela ONG são cedidos por organizações privadas, órgãos públicos ou por pessoas físicas. A situação melhorou quando a organização começou a ganhar aportes e prêmios — e foi entrevistada no Jornal Nacional. "No dia seguinte da reportagem, minha caixa de e-mail tinha milhares de pessoas que queriam ceder seus terrenos, e eu comecei a catalogar tudo", disse.


LUIZA BELLONI Horta da ONG Cidades sem Fome em São Paulo.

Com os terrenos, o próximo passo foi procurar beneficiários que queriam fazer suas hortas e ter uma renda extra. "O projeto sempre foi focado num tripé de objetivos: gerar trabalho, renda e capacitação para os beneficiados. Capacitação é importante para que eles possam andar com as próprias pernas e não precisar tanto da gente depois", esclarece.

Mas só há cerca de 5 anos que o negócio começou a tomar forma — alavancado pela onda da alimentação saudável e pela exposição na mídia. "A situação mudou. Tem muito terreno que está fechado, e eles [donos] nos oferecem sem cobrar nada. Para eles, é melhor a gente ocupar do que os outros", argumenta Hans.

Desde então, a Cidades sem Fome cultivou 25 hortas e beneficia mais de 115 pessoas.
Hortas embaixo das torres de transmissão de energia

Até este ano, a ONG se limitava a fazer hortas comunitárias e hortas urbanas, como a de dona Sebastiana, com modelo de comercialização local. O modelo criado por Hans se mostrou eficiente, mas ainda não estava ideal, na visão do empreendedor. "O modelo é muito trabalhoso. É que nem loja, tem que trabalhar todos os dias, inclusive de fim de semana. Nem sempre vamos conseguir beneficiados assim. O jovem não vai querer trabalhar no sábado e domingo, vai querer ficar com a família, se divertir", disse.

Pensando nisso, Hans teve a ideia de criar hortas inteiras para apenas uma empresa compradora. Com mais dinheiro entrando na conta, e sempre do mesmo comprador, seria possível contratar pessoas a um salário maior e o funcionário poderia trabalhar menos dias. Meses atrás, eles conseguiram fechar a primeira parceria com a empresa de alimentos Sodexo. Uma horta inteira de alfaces foi cultivada para abastecer um único cliente. "A inserção social é a mesma: teremos dinheiro para contratar beneficiários da região, que estão desempregados. Eles trabalham de segunda a sexta. Com o passar do tempo, vamos dar alternância entre os modelos e dar sustentabilidade ao projeto", explica.

A grande sacada não foi apenas a mudança no modelo de produção, mas onde o alimento é produzido. Hoje, a Cidades sem Fome fez uma parceria com a Eletropaulo e começou a utilizar os terrenos onde ficam as enormes torres de transmissão de energia, que ocupam grandes áreas nas áreas periféricas de São Paulo. A parceria, no entanto, surgiu por acaso.


LUIZA BELLONI Pés de alface da horta da Cidades sem Fome em área de torres de transmissão.

"Tínhamos algumas hortas de iniciativas privadas embaixo de algumas linhas de energia, mas não tinha nenhum documento assinado ou parceria oficial, só não queríamos deixar de ajudar os beneficiários", conta. A Eletropaulo gostou da ideia e procurou a ONG para fechar parceria. A Cidades sem Fome foi a primeira a fazer acordo com a Eletropaulo com termo de comodato legalizado e, por isso, não precisa pagar nada para a companhia de energia. "Eu acho que eles pensaram: o que esses caras estão fazendo aí?", brincou.

O acordo é bom para a organização, mas também para a Eletropaulo. Além de ajudar uma ONG, a companhia se beneficia por ter alguém cuidando e ocupando seu terreno. Além de ficar mais barato, também impede que os terrenos sejam ocupados por pessoas que buscam uma moradia.

A parceria também gera dúvidas dos consumidores: um alimento criado embaixo das torres de energia é seguro? Sim, segundo a Eletropaulo e Hans, que trabalha no campo há anos. O empreendedor reconhece que não há nenhum estudo conclusivo no Brasil ou no mundo que diz que esses alimentos são inseguros. "A Eletropaulo tem suas normativas e seguimos à risca. Se fosse perigoso, olhe em volta, todos esses moradores estariam em perigo", argumentou. "A Eletropaulo só libera o local depois de fazer todos os testes possíveis."
Um futuro mais sustentável

Os diferentes modelos da Cidades sem Fome fizeram Hans repensar também sobre seu modelo de negócio. A partir do ano que vem, a ONG passará a ser um negócio social. "O conceito de negócio social se vende melhor. Quem tem dinheiro é banco e, pra banco, tudo é número", explica.

Segundo ele, a ONG não pode mais só viver de doações e prêmios, pois o negócio se torna insustentável e instável. "Como vamos empregar pessoal, e depois que a verba acabar, mandar eles embora?", questionou.

Christian, filho de Hans, explica que a empresa social terá o lucro atrelado ao número de empregos gerados. A ideia é criar uma plataforma pública para fazer prestação de conta a cada dinheiro recebido. "Teremos um empregômetro no nosso site pra mostrar quantas pessoas estão sendo beneficiadas com os projetos", disse.

Com a mudança, a ONG pretende criar cerca de 500 empregos até o final do ano que vem, contabilizando as hortas urbanas e as hortas embaixo das linhas de transmissão de energia, que contarão com funcionários contratados nos bairros locais. Além de São Mateus, a Cidades sem Fome tem projetos entre Cidade Tiradentes, Itaquera e São Miguel Paulista.

"[São Mateus] é um bairro em que todo mundo tem emprego no centro, e não aqui. Se tem emprego aqui, fortalece a economia local. Isso aumenta a renda, melhora a saúde pública, pois você incentiva uma alimentação mais saudável, e diminui a insegurança, pois tem mais gente empregada."

Encontro de Gastronomia Hospitalar

 Hoje participei a convite da Nutrinews do Encontro de Gastronomia Hospitalar, onde foram debatidos temas como hospitalidade, gastronomia, sustentabilidade e idosos.

Veja a programação: 


Foi um encontro interessante com pessoas que realmente desejam fazer a diferença, mas ainda falta apoio e também do conhecimento sobre a importância de alimentos orgânicos. 
Muito interessante a palestra da Dra Valéria Paschoal falando sobre biodiversidade, alimentos orgânicos - Biodinâmicos e apontando as vantagens das PANCS (plantas alimentícias não convencionais) no tratamento e prevenção das doenças.

Eu especialmente fui fazer a mediação do TALK SHOW - Seniors um mercado em expansão, onde discutimos as medidas e cuidados com essa nova realidade, como lidar com o idoso ativo, que trabalha e produz e com o idoso mais dependente. A alimentação exerce um papel importante, nutrindo o corpo e as lembranças. O alimento que cuida mais  presente ainda.

Obrigada Adélia pelo convite e espero ansiosa que a Nutrinews disponibilize o material do encontro para que todos possam analisar e usufruir das informações.


Vitória da infância contra o McDonald's

Uma parte já conseguimos, mas temos que continuar lutando pelas crianças!



McDonald’s é multado em R$ 6 milhões

Criança e Consumo, que denunciou a empresa em 2013, comemora decisão.
Valor é o maior já aplicado em caso de publicidade infantil.

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), órgão ligado à Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon), multou em R$ 6 milhões a empresa McDonald’s em razão da realização do “Show do Ronald McDonald” em escolas.

A denúncia foi encaminhada pelo programa Criança e Consumo em setembro de 2013. Um levantamento feito à época constatou, em apenas dois meses, mais de 60 apresentações do palhaço em diversos estados do país, em escolas de educação infantil e creches. A punição aplicada à empresa, segundo o próprio DPDC, decorre "da prática ilícita cometida, consistente na publicidade abusiva direcionada ao público infantil, por meio dos shows do Ronald McDonald em escolas, principalmente, e o número de consumidores alcançados por esta ação que estimula o público infantil a consumirem o seu produto".

Temos de comemorar, mas de maneira alguma nos desmobilizar. O McDonald’s, apesar de outras punições e de diversas notificações, insiste em anunciar abusivamente seus produtos para crianças.

Por isso, é importante que você participe da campanha #AbusivoTudoIsso. Se milhares de pessoas encaminharem denúncias para a Senacon, solicitando que o órgão se posicione sobre a venda de lanches com brinquedos, poderemos ter mais vitórias como esta. Afinal, a estratégia de comercialização do McLanche Feliz também é abusiva!

Por uma infância livre,
Equipe Criança e Consumo
Mande sua denúncia

O desafio de um chef estrelado na cozinha de um hospital alemão

Fonte:GAÚCHA ZH
15/10/2018 - 13h56min



THE NEW YORK TIMES

Berlim – Com a habilidade natural de um chef que comanda a cozinha de um restaurante estrelado pelo guia Michelin, Patrick Wodni rapidamente reuniu os ingredientes de que necessitaria para fazer o prato do dia, uma torta de cebola. Dessa vez, porém, em vez de colocar tudo em sua tigela de aço inox favorita, despejou o creme azedo, os ovos, o cominho, o feno-grego, o pimentão vermelho e o açafrão em uma cuba de proporções industriais e misturou tudo com as mãos.

"Normalmente você acompanharia isto aqui com um bom copo de Riesling, mas, infelizmente, estamos em um hospital", disse Wodni, 29 anos, com o aroma dos temperos se espalhando pelo ambiente para se misturar ao perfume das cebolas refogadas que saía da estufa.

Mesmo sem a harmonização do vinho, a maioria dos pacientes e funcionários do Havelhöhe, em Berlim, é

De volta para o futuro. 16 DE OUTUBRO DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

     Imagem: Pixabay
     Por Nadia Cozzi


E o futuro trouxe o passado glorioso de volta.

Proliferam hortas nas casas e nas cidades, feiras livres lotadas de pessoas e alimentos frescos e sem veneno, chefs de cozinha que se preocupam com o sabor, mães que fazem questão de amamentar seus filhos, supermercados que já reservam bons espaços para os alimentos livres de agrotóxicos e até as grandes indústrias de alimentos já perceberam que precisam mudar e criam linhas alternativas, pois já sentiram que o consumidor está mais exigente e esperto.

Tem muita coisa para mudar? Tem sim. Tem muita luta pela frente? E como. Mas hoje somos mais fortes e orgulhosos, pois com certeza estamos contribuindo para escrever a história da alimentação no futuro.

Feliz Dia Mundial da Alimentação. E vamos em frente.... Sempre!

** O Dia Mundial da Alimentação foi criado para refletirmos sobre temas como a fome e a segurança alimentar.

Alimentos Orgânicos: Saúde e (r)existência




Em parceria com o Instituto Feira Livre e o hub Bom Pra Quem, realizaremos o curso Alimentos orgânicos: Saúde e (r)existência, com o propósito de explorar o alimento orgânico de origem familiar, suas dimensões políticas, socioambientais e sua relação com a saúde.

Programa:
Construção dos conceitos de saúde, qualidade de vida e alimentação saudável
Sistema agroalimentar moderno
Sistemas agroalimentares sustentáveis
Alimentos orgânicos: qualidade, certificação, custos, comercialização
Perfil do consumidor orgânico, consumo sustentável e consumerismo político
Movimentos alimentares: locavorismo, freeganismo, vegetarianismo, veganismo, alimentação viva, slow food


Palestrante:
Elaine de Azevedo, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo e autora do livro “Alimentos Orgânicos”.

Datas
15/10 | segunda - 14h às 17h
Instituto Feira Livre (Rua Major Sertório, 229 - Vila Buarque, SP/SP)

20/10 e 27/10 | sábados - 8h30 às 18h
Idec (R. Des. Guimarães, 21 - Água Branca, SP/SP)
INSCREVA-SE

O investimento é de R$180,00. O evento é restrito para inscritos e o número de vagas é limitado.

Para mais informações sobre o curso: contato@bompraquem.com









Não percam! Corações e Mentes, escolas que transformam.

Olá! 

É com muita alegria que anuncio que nesta sexta-feira, dia 5 de outubro, foi a estreia  de Corações e mentes, escolas que transformam, uma série que viaja os quatro cantos do Brasil em busca de escolas que protagonizam grandes transformações na educação.

Dirigida por Cacau Rhoden, de "Nunca me Sonharam" e "Tarja Branca", a produção da Maria Farinha Filmes é uma iniciativa do
Instituto Alana e do Itaú Social, que propõe exibir ações de escolas de São Paulo, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará e Amazonas. Em comum, elas repensam seus processos de ensino e aprendizagem e percebem a escola como um espaço de potência para a transformação social. 

No mês dos professores e professoras, todas as sextas-feiras de outubro, um novo capítulo de Corações e mentes estará na íntegra no Videocamp –plataforma online que disponibiliza produções de cinema que buscam impacto –, e será exibido no canal GNT, às 23h59. 

Ficou interessado pela série e quer organizar uma sessão em sua escola, na sua casa ou em algum espaço de sua cidade? Organize uma exibição pública e gratuita do primeiro episódio pelo Videocamp! 

Desejamos uma ótima sessão!

Escondida dos rótulos, soja transgênica está afetando saúde da população

Pesquisa da nutricionista Rayza Dal Molin aponta presença massiva de alimentos modificados geneticamente no Brasil
Fonte: Brasil de Fato 

Letícia Sepúlveda
São Paulo (SP),24 de Setembro de 2018 às 15:30



Vários tipos de soja transgênica estão sendo desenvolvidas, mas a única que pode ser comercializada é a resistente ao herbicida glifosato / Pexels/rawpixel

A soja é conhecida por seus ótimos benefícios para a saúde, como a redução no risco de doenças cardiovasculares, do colesterol ruim e o fortalecimento dos ossos. No entanto, de acordo com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia, 96,5% da soja produzida no Brasil é transgênica.

A tese de doutorado da nutricionista Rayza Dal Molin Cortese indica que

É preciso incluir os custos à saúde no preço dos alimentos ultraprocessados, defende Cecília Rocha

Fonte: SUL 21
Publicado em: setembro 22, 2018

A professora brasileira Cecília Rocha, da Universidade de Ryerson, no Canadá, participou nesta semana de conferência sobre alimentação e agricultura na Ufrgs | Foto: Joana Berwanger/Sul21

Luís Eduardo Gomes

Qual é o efeito dos alimentos que ingerimos para a saúde? Qual é o impacto dos sistemas alimentares correntes para o corpo humano e para o meio ambiente? Esses foram alguns dos temas do painel que Cecília Rocha, professora de Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional na Universidade de Ryerson, localizada em Toronto, no Canadá, e pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança Alimentar da mesma universidade, apresentou em sua fala na Conferência Internacional Agricultura em uma Sociedade Urbanizada (AgUrb), realizada ao longo da semana que passou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.

Cecília defende

Merendeiras estimulam alimentação saudável dos alunos com pratos exóticos e atraentes

Fonte: Jornal de Jales
por Bruno Gabaldi
23 de setembro de 2018


Mesmo com o tempo curto, as profissionais da merenda escolar realizam a montagem dos pratos coloridos com total delicadeza

A infância é a fase da vida dos aprendizados, curiosidades e claro, muita energia acumulada para as diversas brincadeiras de criança.

É exatamente nesse ciclo em que se precisa tomar cuidado com a alimentação dos pequenos. Além dos fatores citados, não se pode esquecer que também estão em fase de crescimento, afinal esse é o período mais importante do desenvolvimento do organismo de qualquer pessoa.

Nesse sentido, as merendeiras da E.M. Profª Elza Pirro Viana e Unidade Juvenal Giraldelli realizam montagens de pratos exóticos, sendo confeccionados com a própria comida, dando forma a vários animais e plantas estimulando a uma alimentação saudável na escola.

O objetivo a ser alcançado por elas e pela escola é incentivar as crianças a terem uma refeição positiva durante o momento do intervalo.

“Nós estimulamos eles estarem se alimentando com a merenda escolar, porque é nutritiva, saborosa e é alimentação saudável. Aqui nós não proibimos o lanche de casa, mas procuramos o máximo fazer com que eles comam a comida da escola. As decorações que as merendeiras fazem são justamente para atrai-los para o refeitório, sendo assim, já é meio caminho andado para a criança comer”, afirmou Ivana Maria Scatena Robeti, diretora da E.M. Profª Elza Pirro Viana.

Segundo a coordenadora de contrato da merenda escolar, Maibi Vieira Locati, a ideia surgiu para ter mais satisfação e atração no refeitório para as crianças. “A intenção é trazer mais alunos para uma alimentação mais saudável que buscamos na merenda escolar. Infelizmente com a mídia trazendo muitos produtos industrializados que cativam as crianças, desmotivavam um pouco levar a alimentação saudável, que é o natural e básico, então a gente trouxe essa decoração em forma de bichinhos para trazê-los mais próximos”, completou a coordenadora.

Os benefícios de uma alimentação saudável na infância além de proporcionar uma boa qualidade de vida e prevenir infecções e patologias na vida adulta, pode favorecer a concentração e melhora no desempenho escolar.

Café da manhã tem que ser saudável. Vamos ver como?

Por Nadia Cozzi - Alimentação e Desenvolvimento Humano



Tem um ditado popular que diz: “Tomar café da manhã como um Rei, almoçar como um Príncipe e jantar como um Plebeu.”

Os médicos também orientam sobre a importância de um bom café da manhã, por ser a primeira refeição do dia e de o corpo ter ficado muitas horas sem alimentação.Perfeito!

Então vamos lá: pão, margarina, café, leite, bolacha, fruta. Delícia não é?

Analisando os alimentos: o café, a fruta, o leite, a não ser que sejam orgânicos, estão sujeitos à contaminação por agrotóxicos. Aqui cabe um alerta, lavar frutas, verduras e legumes diminui a quantidade de agrotóxico que ainda estão na superfície mas não eliminam o agrotóxico que foi absorvido durante o seu crescimento.

Bom, mas ainda temos o pão, a margarina e a bolacha! Encontramos então os aditivos químicos, muitos no caso do pão, imensos no caso da margarina e na bolacha, entre outros, a nossa velha conhecida Gordura Vegetal Hidrogenada ou Trans. Outro alerta: leia sempre os ingredientes presentes nos rótulos de todos os alimentos, principalmente daquelas bolachinhas que se gabam de ter 0% de gordura trans, você vai ver que ela continua lá bem escondidinha e feliz.

O Que fazer então? No caso do café, do açúcar temos várias opções orgânicas. Bolachinhas também. E que tal um pão caseiro? Calma… este é bem fácil, gostoso e feito no liquidificador.



Pão da Hora – Receita simples e nutritiva

Sabe aquelas receitas que são fáceis e que nunca saem errado? Esta é uma delas. Ideal para quem está iniciando na cozinha, mas já tem consciência da quantidade de aditivos químicos que ingerimos no pão nosso de cada dia. Vamos lá?

Ingredientes:
1 copo tipo requeijão de leite fresco
1 copo tipo requeijão de água
3 ovos caipiras
3 tabletes de fermento para pão (45g)
1 xícara não muito cheia de óleo de Girassol
1 colher de chá de sal, prefira o sal marinho
2 colheres rasas de açúcar orgânico

Modo de fazer:

Bata no liquidificador todos os ingredientes menos a farinha. Despeje numa tigela e junte aos poucos 1 kg de farinha de trigo orgânica, pode ser um pouco mais ou um pouco menos, depende da umidade da farinha. Lembre-se da dica soltando das mãos, mas ainda molinha. Coloque numa tigela grande, cubra com um pano e deixe descansar por 02 horas.

É suficiente para 3 pães. Colocar naquelas formas tipo bolo inglês, untadas com manteiga e polvilhadas com farinha de trigo. Colocar só 1/3 da forma, pois cresce muito. Pincele a parte de cima com gema de ovo. Asse por mais ou menos 20 minutos.

Variações: como a receita dá para 03 pães, um você deixa simples, outro você mistura ½ xícara de queijo ralado e a mesma quantidade de azeitonas picadas. No outro você pode misturar gergelim, amêndoas fatiadas ou linhaça. Pode congelar. Não esqueça: o que você está consumindo guarde na geladeira, pois ele não tem conservante. Pronto o pão está resolvido, no caso da margarina, esqueça ela lá na prateleira do supermercado e compre manteiga, que é feita de creme de leite e sal. O truque é comer pão com manteiga e não manteiga com pão. Tudo que é exagerado faz mal, até água.

Mas na hipótese de você não poder comer manteiga de jeito nenhum que tal uma ricota?



A receita é simples e divertida. Em uma panela grande coloque 03 litros de leite para ferver. Quando estiver começando a ferver acrescente 1 xícara (café) de vinagre. O leite vai talhar e formar uma massa que você retira com uma escumadeira e coloca para escorrer em uma peneira ou nas formas próprias para queijo. Deixe escorrer o soro por meia hora, depois disso tempere com sal e azeite. Se quiser a ricota mais durinha é só deixar sorar mais tempo.

Esta é a massa básica que você pode usar no lugar da manteiga. Mas para variar coloque essa massa no liquidificador e saborise com o que mais lhe agradar.

Ervas: salsa, orégano a gosto.
Atum: uma lata de atum e salsinha
Queijo: parmesão a gosto, ou roquefort, ou gorgonzola.
Azeitonas pretas: coloque azeitonas a gosto, aos poucos para não ficar muito forte.
Roquefort com ervas aromáticas.

Aqui você tem boas sugestões de sanduíches para lanches e até aquela reunião com os amigos.

A coalhada com granola é outra boa sugestão para o café da manhã. O leite deve ser sempre fresco, se for Orgânico melhor ainda. Se gostar de achocolatado, troque por Cacau em pó, que não tem açúcar e nem aditivos químicos. Bata no liquidificador com açúcar orgânico, mel ou rapadura ralada. Coloque numa jarra bem bonita e sirva em copos altos. Mas lembre-se o Cacau é muito forte então para 1 copo de leite 1 colher de chá de cacau em pó basta!

Podemos dizer que uma pessoa assim alimentada terá um lindo dia a sua frente!

Petrópolis é oficializada capital de produtos orgânicos

Fonte: Diário de Petrópolis

Assembleia Legislativa aprova em segunda votação a lei que garante o título para a cidade



A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou em segunda votação a lei 3582/2017 que garante à Petrópolis o título de Capital Estadual dos Produtos Orgânicos. A lei foi um pedido do candidato a deputado federal pelo PDT, Jamil Sabrá, ao colega de partido, deputado estadual Luiz Martins, e agora segue para sanção do governador Luis Fernando Pezão.

Jamil Sabrá entregou o ofício em novembro do ano passado, quando era vereador e atuava como representante do Compaf, o Conselho Municipal de Políticas Agrícolas e Fundiárias. “Ao longo deste trabalho eu acompanhei todas as reuniões e pude entender a importância deste setor para a cidade. Um título como esse traz visibilidade a nível estadual e dá mais força aos nossos produtores, assim como foi também com a cerveja”, lembrou Jamil. A cidade, em 2017, também foi consagrada pela Alerj a Capital Estadual da Cerveja.

Só em Petrópolis são 92 produtores orgânicos cadastrados na base de dados do Ministério da Agricultura, o que representa 13% do total de todo estado do Rio de Janeiro. Estes produtos tem ganhado força no mercado nos últimos anos, mas já são produzidos há mais de 40 anos no Brejal. “É um trabalho pioneiro no estado e que merece reconhecimento. Por isso, acolhi com muito prazer o pedido do Jamil”, disse Luiz Martins, que atua há mais de 20 anos no segmento.

Quando vereador Jamil Sabrá foi ainda o autor da Lei dos Produtores Rurais, que garante a participação dos produtores em eventos organizados, apoiados ou patrocinados pela Prefeitura Municipal de Petrópolis. Como deputado federal Jamil vai continuar com a atenção voltada para este setor. “Vamos melhorar as estradas vicinais, que ligam o campo à cidade, e disponibilizar verbas para a compra de patrulhas mecanizadas. A ideia é melhorar as condições de trabalho e a vida das famílias que se dedicam a ele, não só em Petrópolis mas em toda região serrana do estado do Rio de Janeiro”, concluiu Jamil.



ONU lança guia sobre gestão de recursos em alimentação escolar e agricultura local

Fonte: ONUBR Nações Unidas do Brasil
Publicado em 18/09/2018

Com o guia, a ONU espera difundir informações entre governos, academia, sociedade civil, organizações de base e setor privado, ampliando o debate e o aprendizado sobre alimentação escolar. O volume também traz exemplos de iniciativas de cooperação Sul-Sul.


Alunos na Bolívia recebem refeição na escola. Foto: PMA/Boris Heger

Agências da ONU lançaram neste mês um novo guia sobre o uso de recursos em políticas públicas que combinam as demandas da alimentação escolar com a oferta de agricultores locais. Publicação traz orientações para profissionais que trabalham na elaboração, implementação e monitoramento dessas estratégias.

O documento aborda conceitos e experiências associados a essa modalidade de alimentação de escolar — quando governos e outros atores optam por comprar de agricultores familiares a comida servida em centros de ensino. Isso garante o fornecimento de alimentos seguros, nutritivos e diversos, além de estimular a economia local.

Com o guia, a ONU espera difundir informações entre governos, academia, sociedade civil, organizações de base e setor privado, ampliando o debate e o aprendizado sobre alimentação escolar. O volume também traz exemplos de iniciativas de cooperação Sul-Sul (entre países em desenvolvimento) e trilateral (com a participação de um terceiro ator, como um país desenvolvido ou organização internacional) na área de alimentação escolar.

A publicação é resultado de um esforço colaborativo iniciado e coordenado pelo Programa Mundial de Alimentos. O texto foi preparado por um time de especialistas das agências da ONU com sede em Roma – a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o PMA e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

A equipe também contou com representantes de outras instituições — o Centro de Excelência contra a Fome, a Fundação Global para Nutrição Infantil, a Parceria para o Desenvolvimento da Infância e a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África.

A publicação está disponível em inglês, em duas versões.

Quando será que teremos isso no Brasil? Canadá investirá mais de US$8 milhões em orgânicos

Por EquipeONB
-01/09/2018

(Foto: Pixabay)

O governo canadense anunciou um financiamento de US$8,3 milhões para a Federação Orgânica do Canadá investir em pesquisas para melhorar a produção, como gestão da fertilidade, a saúde do solo e a avaliação dos impactos ambientais das práticas agrícolas.

Em média, as vendas no varejo de alimentos orgânicos cresceram dois dígitos na última década, com vendas atuais estimadas em US$5,4 bilhões.

“O investimento significativo de hoje na ciência da agricultura orgânica ajudará nossos agricultores orgânicos a crescer mais e a crescer melhor. E temos o prazer de apoiar os Padrões Orgânicos Canadenses, que são a espinha dorsal da indústria orgânica”, afirmou Lawrence MacAulay, Ministro da Agricultura e Agroalimentar.

O ministro também anunciou um investimento adicional de US$ 292.555 sob o programa federal Canadian Agricultural Adaptation, para ajudar a indústria a agilizar o processo de revisão dos Padrões Orgânicos Canadenses e a melhorar a competitividade orgânica do país.

** Com informações do jornal Pioneer do Canadá

Batata doce fashion e gostosinha

Pois é gente, há quase 2 semana venho recebendo os alimentos orgânicos em minha casa com a qualidade e o carinho do pessoal do Caminhos da Roça.

Há tempos, mas põe tempo nisso, conheço o trabalho da minha querida Marina Pascon, uma mulher forte, lutadora e que sempre teve a Agricultura Orgânica como lema. Pois bem, mas somente agora , sei lá porque, fui utilizar os serviços da sua empresa. 

Esta semana entre outras coisas vieram uma batatas doces com uma cor laranja incrível e quando olhei para elas de cara pensei numa coisa que o pessoal lá em casa ama: batata doce frita!

Ah mas frita, "num pooode né"?. Aqui em casa pode sim, só que um jeitinho todo especial.



Sabe aquela batata frita SQN? 
Então aqui eu fiz bem rústica, mas você pode usar aqueles cortadores "caríssimos" que vendem nas casas de 1,99 que ficam feito as chips de saquinho, só que milhares de vezes mais saudáveis.

Cortadas as batatas coloque por cima azeite extra virgem, sal marinho, pimenta moída na hora (se gostar), orégano ou qualquer outra ervinha de sua preferência. Mexa bem nas batatinhas para que todas fiquem lambuzadas desse tempero.

Numa forma untada com azeite coloque uma por uma para que nenhuma fique por cima da outra. Leve ao forno já aquecido. (Quando começar a descascar as batatas já acenda o forno, assim ele estará na temperatura certinha). Deixe até que estejam douradinhas por cima e vire uma a uma. Quando estiverem todas douradas dos dois lados, sirva.

Vai bem com um arroz e feijão fresquinho ou como aperitivo no fim de semana. Experimente a Caminhos da Roça, seus alimentos orgânicos e esta receita "facinha e gostosa".


Nem sempre temos tempo para comprar nossos orgânicos então que tal deixar que façam isso para nós, os deliveries estão aí pra isso. Receba em casa frescor, saúde e sabor. 


Câmara debate produção de orgânicos em alta escala – 08/08/18

A Comissão Especial que analisa o Projeto de Lei que cria a Política Nacional para redução de agrotóxicos realizou duas audiências públicas.
Fonte: Câmara dos Deputados

Na Califórnia, alimentação se torna tratamento para doenças crônicas

Fonte: Estadão

Um estudo clínico financiado pelo estado testará se as refeições diárias nutritivas para pessoas com essas enfermidades podem melhorar a saúde e reduzir os custos médicos
Patricia Leigh Brown, The New York Times
08 Julho 2018


SEBASTOPOL, CALIFÓRNIA - Certa tarde, a assistente jurídica aposentada Diana Van Ry passou na cozinha da organização sem fins lucrativos na qual atua como voluntária para apanhar um pouco de falso bacalhau, cuscuz de couve-flor e um “caldinho da imunidade” enriquecido com legumes e alga. Ela planejava levar a comida para Brandi Dornan, 46 anos, que está se recuperando do tratamento contra o câncer de mama.

“É um cardápio que eu não pensaria em preparar", disse Brandi, que recebeu as refeições enquanto fazia radioterapia e se mostrou grata pela ajuda.


O Projeto Comunitário Ceres, na Califórnia, faz parte de uma abordagem que trata a 'alimentação como tratamento' para males que vão das diabetes ao câncer. Voluntários adolescentes preparam hambúrgueres de cogumelo Foto: Ramin Rahimian para The New York Times

O Projeto Comunitário Ceres, cujas refeições são preparadas por sous-chefs adolescentes e se destinam aos pacientes em tratamento contra o câncer, está na vanguarda da abordagem do “alimento como tratamento” que é cada vez mais adotada por médicos, seguradoras de saúde, pesquisadores e autoridades de saúde pública.

O grupo está participando de um ambicioso estudo financiado pelo estado para testar se a oferta de refeições nutritivas para pessoas de baixa renda com doenças crônicas afeta suas perspectivas de tratamento, ou o custo do seu atendimento de saúde.

Nos próximos três anos, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, e da Universidade Stanford, não muito distante, vão acompanhar os casos de mil pacientes de diabetes tipo 2 ou insuficiência cardíaca aos quais será oferecida uma dieta saudável e conscientização nutricional, para saber se isso afeta seu retorno ao hospital e possibilidade de novas internações e encaminhamento para tratamento de prazo mais longo, comparando-os aos casos de 4 mil pacientes semelhantes de baixa renda que não receberão a alimentação controlada.

O interesse na alimentação enquanto forma de terapia nasceu da epidemia de Aids dos anos 1980. Organizações como o Projeto Mão Aberta, de San Francisco, e God’s Love We Deliver, de Nova York, surgiram para ajudar a cuidar da saúde de pessoas cujas vidas eram dizimadas, frequentemente em decorrência da perda de peso chamada caquexia. Conforme a doença passou a ser tratada com medicamentos antirretrovirais, esses grupos passaram a ajudar pessoas que sofrem de doenças crônicas como as diabetes e insuficiência cardíaca.

“Quando a pessoa se sente péssima, cuidar da própria alimentação deixa de ser uma de suas prioridades", disse Karen Pearl, presidente da God’s Love We Deliver.

Um estudo realizado na Filadélfia pela Aliança de Nutrição da Vizinhança da Área Metropolitana comparou retroativamente as despesas apresentadas por 65 pacientes de baixa renda e portadores de doenças crônicas que receberam seis meses de alimentação balanceada por médicos com as despesas de um grupo de controle. Os pacientes que receberam a alimentação pouparam cerca de US$ 12 mil por mês em despesas médicas.


Refeição do projeto Ceres é entregue a Brandi Dornan, que tem câncer de mama Foto: Ramin Rahimian para The New York Times
Outro pequeno estudo realizado por pesquisadores da UCSF acompanhou pacientes com HIV e diabetes tipo 2 que receberam refeições especiais por seis meses para ver se isso traria efeitos positivos para a sua saúde. Os pesquisadores descobriram que os pacientes se mostraram menos deprimidos, menos propensos a ceder à má alimentação e aos seus efeitos nocivos, e mais propensos a respeitar o tratamento receitado.

Seu tratamento também custou menos: para a alimentação de cada participantes durante seis meses foram gastos US$ 1.184 por pessoa, menos da metade do custo diário de US$ 2.774 para a internação num hospital da Califórnia.

“É algo que alivia o farto mental", disse Conrad Anthony Nesossis, 69 anos, que tem diabetes e recebeu refeições quentes como parte do estudo. Ele ainda usa uma mistura de alho, cebola e pimenta em pó que aprendeu a fazer com o programa. “Não sou um grande cozinheiro, mas a experiência abriu meus olhos e me fez prestar mais atenção nos sabores.”

Pessoas de baixa renda podem enfrentar dificuldades para controlar doenças crônicas, pois frequentemente consomem alimentos baratos, repletos de açúcar e sal, evitando alternativas mais caras como frutas e legumes.



O projeto Ceres vai participar de um estudo trazendo refeições nutritivas para pessoas de baixa renda e más condições de saúde Foto: Ramin Rahimian para The New York Times

Para os pacientes com câncer, a perda do apetite que surge como efeito colateral do tratamento pode levar à desnutrição, reduzindo a capacidade do corpo de enfrentar a doença. O Dr. Fasih Hameed, diretor-assistente de medicina do Centro de Saúde de Petaluma, ao norte de San Francisco, receita as refeições do programa Ceres a pacientes com câncer e também àqueles com hepatite C.

“É uma forma de fazer um recomeço holístico", disse ele.

A Dra. Hilary K. Seligman, professor da UCSF, disse, “as epidemias mais perigosas da nossa era - obesidade e diabetes - estão ligadas à alimentação". Ela disse que a profissão médica “aceita sem pestanejar os medicamentos e procedimentos mais caros. Mas, em se tratando da alimentação, temos que provar que é mais barato aceitar esta forma de tratamento".



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